LISBOA PARA DESCOBRIR · 06 / 24

Avenidas Novas

A freguesia de Avenidas Novas mostra uma Lisboa que parece ter surgido com uma régua comprida e alguma ambição urbana. Entre o eixo da Avenida da República, as rotundas, os quarteirões regulares e as árvores que acompanham as avenidas, percebe-se uma cidade planeada para crescer para norte. Mas a geometria não apagou as várias camadas do território: aqui coexistem o Bairro Azul, o Bairro do Rego, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima e o conjunto moderno da Fundação Calouste Gulbenkian. Para quem corre e olha em volta, esta é uma freguesia onde a regularidade do desenho urbano se lê quase ao ritmo das passadas.

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História

Antes da expansão urbana, grande parte do território da atual freguesia era formada por quintas, terrenos agrícolas e caminhos rurais, embora já existissem núcleos habitados e atividades locais. Após o terramoto de 1755, a procura de zonas mais afastadas do centro contribuiu para o crescimento desta área.

O nome Avenidas Novas ficou ligado à expansão de Lisboa para norte, no final do século XIX e início do século XX. Frederico Ressano Garcia teve um papel central nesse processo. Formado em engenharia em Paris, durante as grandes reformas urbanas associadas a Georges-Eugène Haussmann, trouxe referências de planeamento, não uma cópia pronta a aplicar. O projecto de 1888, “Avenida das Picoas ao Campo Grande e ruas adjacentes”, prolongava o eixo da Avenida da Liberdade e da Avenida Fontes Pereira de Melo em direcção ao Campo Grande, onde surgiria a futura Avenida da República.

A Câmara Municipal adquiriu terrenos, abriu ruas, dividiu lotes e orientou a urbanização. Avenidas largas, vias paralelas e transversais, quarteirões regulares, rotundas, arborização e redes de água e esgotos deram forma a uma nova estrutura urbana. Os primeiros lotes começaram a ser construídos no início do século XX e, a partir de 1905, os carros eléctricos passaram a servir regularmente a zona.

A atual freguesia nasceu na reorganização administrativa de 2012, reunindo São Sebastião da Pedreira, Nossa Senhora de Fátima e parte de Campolide. Não coincide, porém, com toda a área histórica do projecto das Avenidas Novas.

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Pontos de referência

  1. 01Avenida da República — eixo da expansão para norte, inicialmente conhecido como Avenida das Picoas.
  2. 02Praça Duque de Saldanha — rotunda que articula os grandes eixos urbanos da zona.
  3. 03Avenida Fontes Pereira de Melo — ligação entre a Avenida da Liberdade e o sistema das Avenidas Novas.
  4. 04Avenida Ressano Garcia — avenida do Bairro Azul que recuperou, em 1929, o nome do engenheiro.
  5. 05Bairro Azul — conjunto residencial moderno, conhecido popularmente pela cor original de persianas e gradeamentos.
  6. 06Bairro do Rego — território marcado pela ferrovia e pela união de vários núcleos históricos.
  7. 07Rua da Beneficência — corresponde a parte da antiga Estrada do Rego ou Estrada da Palma de Cima.
  8. 08Igreja de Nossa Senhora de Fátima — projecto modernista de Porfírio Pardal Monteiro, inaugurado em 1938.
  9. 09Fundação Calouste Gulbenkian e Jardim — conjunto inaugurado em 1969 e classificado como Monumento Nacional em 2010.
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Sugestões para explorar

  • Percorra a Avenida da República e repare na repetição dos quarteirões, nos alinhamentos e na largura da avenida.
  • Compare as grandes avenidas com ruas anteriores à expansão urbana: a diferença de escala ajuda a ler o plano.
  • Procure contrastes entre edifícios ecléticos, de Arte Nova, Art Déco e modernistas, sem esperar que todos sigam o mesmo estilo.
  • No Bairro Azul, observe persianas e gradeamentos: a cor original ajudou a fixar o nome popular do conjunto.
  • Depois da Avenida da República, passe pela Avenida Ressano Garcia e siga a troca de nomes no próprio mapa.
  • No Bairro do Rego, note como a linha ferroviária impulsionou o crescimento local e, ao mesmo tempo, criou uma separação física.
  • No Jardim Gulbenkian, observe a relação entre arquitectura, água, vegetação e caminhos antes de retomar o ritmo da cidade.
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Fontes editoriais

Conteúdo revisto com base nas fontes indicadas.

  1. Câmara Municipal de Lisboa — História das Avenidas Novas ↗
  2. Junta de Freguesia — Avenida Ressano Garcia ↗
  3. Junta de Freguesia — Rua da Beneficência e Bairro do Rego ↗
  4. Toponímia de Lisboa — Avenida da República ↗
  5. Património Cultural — Igreja de Nossa Senhora de Fátima ↗
  6. Fundação Calouste Gulbenkian — Cronologia ↗
  7. Fundação Calouste Gulbenkian — Edifício e Jardim ↗
  8. Arquivo Municipal — Da Avenida da Liberdade às Avenidas Novas ↗