História
A história do Beato começa muito antes da indústria. A zona oriental junto ao Tejo foi, durante séculos, rural: havia quintas de recreio, campos e propriedades religiosas, beneficiando da proximidade do rio para transportar pessoas, matérias-primas e mercadorias. A freguesia autonomizou-se legalmente em 1770. Entre 1852 e 1886 integrou o concelho dos Olivais, perdeu parte do território em 1918 com a criação da freguesia da Penha de França e, em 1959, ganhou uma configuração próxima da atual, entretanto redefinida pela reorganização administrativa de Lisboa.
O Convento do Beato António ajuda a ler esta longa duração. Mandado construir na segunda metade do século XV, foi inicialmente conhecido como Convento de São Bento de Xabregas. No reinado de Filipe I, Frei António da Conceição dirigiu a construção de uma nova casa conventual; a capela-mor ficou concluída em 1622. O terramoto de 1755 causou-lhe relativamente poucos danos. Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, partes do conjunto receberam usos militares e industriais.
A industrialização intensificou-se a partir do final do século XVIII e ganhou ritmo com fábricas, armazéns e, desde 1856, a passagem da Linha do Norte pelas zonas do Beato e de Marvila. Têxteis, tabacos, cortiça, moagem, tanoaria e vinho marcaram a área. A proximidade entre trabalho e habitação explica a Vila Dias e outros núcleos operários. No século XX, o Bairro da Madre de Deus e o Plano de Urbanização do Vale de Chelas voltaram a transformar o território.