História
Com indícios de ocupação desde a Pré-História, a Ameixoeira cresceu num ponto alto de Lisboa, a partir de caminhos que ligavam o território ao Lumiar e à cidade. Depois da conquista de Lisboa aos mouros, a documentação viria a identificar aqui um povoado chamado Muchinis; no século XIII, surgem referências a propriedades da igreja de Santa Marinha no lugar de Moxoeira. O nome mudou ao longo do tempo, mas a estrutura rural manteve-se: quintas, casais, fazendas, courelas e pequenos núcleos organizados em torno de caminhos e largos.
A Ameixoeira integrou a freguesia do Lumiar até ganhar paróquia própria, sob a invocação de Nossa Senhora da Encarnação, em meados da década de 1530. A igreja, fundada antes de 1500, foi sucessivamente transformada, incluindo após o Terramoto de 1755. A Charneca desenvolveu-se também como núcleo rural periférico, marcado por quintas e caminhos. A sua Igreja de São Bartolomeu, construída no século XVII sobre uma igreja anterior, preserva elementos mais antigos e testemunha essa continuidade.
Nos séculos XVII e XVIII, as quintas de recreio reforçaram a presença de uma Lisboa de campo nas proximidades da cidade. A Quinta de Santa Clara remonta ao final do século XVII; a Quinta Alegre foi construída no século XVIII. No final do século XIX, o Forte da Ameixoeira passou a integrar o Campo Entrincheirado de Lisboa, sistema de defesa terrestre da capital. O crescimento urbano do século XX alterou profundamente o território, sem apagar por completo os seus caminhos, topónimos e núcleos históricos. Em 2012, a fusão das antigas freguesias da Ameixoeira e da Charneca criou a atual freguesia de Santa Clara.