História
Há vestígios de ocupação humana na zona de Benfica desde o Paleolítico, o Neolítico e o Calcolítico. A mais antiga referência documental conhecida ao lugar data de 1263; a paróquia de Santa Maria de Benfica surge num testamento de 1337 e, no final do século XIV, aparece associada a Nossa Senhora do Amparo. Não se conhece, porém, a data exata de criação da freguesia medieval.
Com água, arvoredo e solos férteis, Benfica teve durante séculos um carácter rural e abasteceu Lisboa. Agricultura, moagem, construção, pequeno comércio e lavagem de roupa integravam o quotidiano de uma freguesia historicamente descrita como saloia, no sentido geográfico e social então usado para os arredores rurais da capital. A Estrada de Benfica era o seu grande eixo, seguindo de Lisboa para noroeste e Sintra, através de Sete Rios, do Vale de Alcântara, Benfica e Venda Nova.
A construção do Aqueduto das Águas Livres, iniciada na primeira metade do século XVIII, trouxe trabalhadores e população. Depois do terramoto de 1755, Benfica recebeu também quem procurava refúgio fora do centro. Nos séculos XVIII e XIX, quintas e casas de veraneio atraíram famílias nobres e burguesas. Benfica integrou o concelho de Belém até 1885, passando depois diretamente para o território da capital. A ferrovia, a Estrada Militar, os elétricos e a urbanização progressiva alteraram profundamente esta paisagem. Em 1959, a reorganização administrativa separou Benfica de São Domingos de Benfica; entre as décadas de 1940 e 1960, muitas antigas quintas deram lugar à cidade construída que hoje se percorre.