História
Criada a 2 de abril de 1266, a freguesia do Lumiar é apresentada pelas fontes municipais como a mais antiga de Lisboa ainda existente. Dez anos depois, a Igreja de São João Baptista e São Mateus já funcionava como sede paroquial. O nome poderá relacionar-se com o latim liminaris, associado a limiar, fronteira ou entrada, embora essa seja apenas uma hipótese.
A memória medieval permanece sobretudo nos nomes. Em 1312, D. Dinis atribuiu ao filho, D. Afonso Sanches, uma quinta e casa de campo que ficariam conhecidas como Paços do Infante D. Afonso Sanches. Não subsistem vestígios materiais conclusivos que identifiquem o antigo paço; o Largo do Paço conserva, porém, essa presença na toponímia.
Durante séculos, o Lumiar foi território de quintas, olivais e vinhas. No início do século XVIII produziam-se aqui vinho, trigo, cevada e azeite; em meados do século XIX, as feiras anuais davam ritmo à antiga aldeia. Integrado em Lisboa em 1885, depois de pertencer ao concelho dos Olivais, o Lumiar assistiu à chegada de novas formas de mobilidade e, ao longo do século XX, a uma forte expansão urbana. Nas últimas décadas desse século, a Alta de Lisboa resultou de um processo de urbanização, regeneração e realojamento que incluiu moradores das antigas Musgueiras Norte e Sul. Hoje, o contraste entre o Paço do Lumiar, Telheiras, a Alta de Lisboa e as antigas quintas continua visível no terreno.