Há vestígios de presença humana em Belém desde a Pré-História. Escavações revelaram também marcas romanas, incluindo tanques usados na preparação e salga de peixe. Pelo menos desde o século XIII, a praia do Rastelo, ou Restelo, era uma enseada de abrigo para embarcações. À sua volta cresceu uma pequena povoação de agricultores, marinheiros e trabalhadores ligados ao rio, num território de campos, pomares, quintas de recreio e propriedades nobres. Do porto do Restelo saíram expedições portuguesas, entre elas a de Vasco da Gama para a Índia e a de Pedro Álvares Cabral, que chegou à costa do atual Brasil. Junto à antiga ermida de Santa Maria de Belém, D. Manuel I promoveu a fundação do Mosteiro dos Jerónimos em 1496; as obras começaram em 1501 ou 1502. A Torre de Belém, construída entre 1514 e 1520 sob direção de Francisco de Arruda, integrava um plano defensivo para a barra do Tejo. Foi erguida sobre um afloramento basáltico dentro de água, combinando torre medieval e baluarte para artilharia. Menos afetada pelo terramoto de 1755 do que o centro, a zona acolheu muitos deslocados, incluindo a família real. Nos séculos XVIII e XIX, indústria, docas, ferrovia e transportes aproximaram Belém de Lisboa. Em 1940, a Exposição do Mundo Português alterou profundamente a frente ribeirinha: organizada pelo Estado Novo, promoveu uma narrativa nacionalista e imperial através de demolições, obras e novos espaços, com a Praça do Império no centro. A paisagem atual continua a mostrar essas camadas, entre equipamentos culturais, aterros, jardins e bairros como Restelo, Pedrouços e Caselas.
Belém
Belém é a freguesia mais ocidental de Lisboa e uma paisagem feita por camadas: vestígios pré-históricos e romanos, antigas praias e atividade fluvial, campos, quintas, bairros residenciais e uma frente ribeirinha profundamente redesenhada. A atual freguesia nasceu em 2012, da união de Santa Maria de Belém e São Francisco Xavier. Entre a Torre, os Jerónimos e a Praça do Império, vale a pena levantar os olhos e também mudar de rua: Restelo, Pedrouços e Caselas mostram um Belém menos cerimonial, moldado pela encosta, por avenidas arborizadas e pela vida de bairro. Aqui, o Tejo não é apenas cenário; é a razão pela qual tudo se organizou — e se transformou.
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Na base de uma das guaritas da Torre de Belém há um pequeno rinoceronte esculpido em pedra. Não é um detalhe inventado para testar a atenção de quem passa: a figura terá sido inspirada no rinoceronte-indiano que chegou a Lisboa em 1515, vindo da Índia. Numa Europa onde quase ninguém tinha visto um rinoceronte vivo, o animal provocou enorme curiosidade em Lisboa e noutras cidades europeias. A Torre estava então em construção, e a novidade acabou integrada na decoração do edifício, entre cordas, nós, esferas armilares, cruzes da Ordem de Cristo e outros motivos. É uma espécie de fotografia em pedra de um dos assuntos mais comentados da Lisboa do século XVI — com muito menos resolução, mas notável durabilidade. Quem passa depressa vê ameias, cordas e pedra. Quem abranda encontra um rinoceronte que ali está há cerca de cinco séculos.
Torre de Belém — Estrutura defensiva construída sobre um afloramento basáltico dentro de água, com decoração manuelina e um rinoceronte discreto. · Mosteiro dos Jerónimos — Fundado por iniciativa de D. Manuel I, é uma referência maior da arquitetura manuelina, com alterações posteriores. · Praia e porto histórico do Restelo — Antiga enseada ligada ao abrigo de embarcações, a marinheiros, agricultores e atividade fluvial. · Praça do Império — Centro organizador da Exposição do Mundo Português de 1940, criada no contexto urbano e político do Estado Novo. · Padrão dos Descobrimentos — A estrutura provisória de 1940 deu lugar ao monumento definitivo inaugurado em 1960. · Palácio de Belém — Residência oficial do Presidente da República desde 1910. · Picadeiro Real — Espaço onde foi inaugurado o Museu dos Coches Reais em 1905, mais tarde Museu Nacional dos Coches. · Centro Cultural de Belém — Equipamento cultural aberto ao público em 1993. · Bairro do Restelo — Zona residencial planeada através de avenidas, ruas arborizadas, eixos visuais e adaptação à encosta.
Procurar o rinoceronte esculpido na base de uma guarita da Torre de Belém. · Observar a distância atual entre a Torre, a margem e o Tejo, lembrando que a estrutura foi erguida sobre um afloramento dentro de água. · Imaginar a antiga praia do Restelo diante do Mosteiro dos Jerónimos. · Comparar a escala manuelina dos Jerónimos com a arquitetura e os espaços criados no século XX. · Identificar marcas ainda visíveis da Exposição do Mundo Português, incluindo a Praça do Império, o Padrão e edifícios ligados ao antigo recinto. · Percorrer a Avenida da Torre de Belém e reparar no eixo visual até à Capela de São Jerónimo. · Subir pelo Restelo e comparar a frente monumental com as ruas, a encosta e os bairros residenciais de Pedrouços e Caselas.
Curiosidades de Belém
- É uma atividade válida de corrida ou caminhada.
- Foi iniciada depois da inscrição no The 24 Club.
- Começa e termina dentro dos limites oficiais da mesma freguesia.
- Tem pelo menos 5 quilómetros de distância total.
- Inclui pelo menos 1 quilómetro percorrido dentro dos limites da freguesia.
- Possui dados GPS válidos.
- Cumpre os critérios técnicos e de integridade.