História
A colina do Castelo guarda algumas das camadas mais antigas da cidade. Na sua encosta, o Teatro Romano, construído no século I, tirava partido do declive natural; parte das suas ruínas ficou soterrada por construções posteriores, numa demonstração muito lisboeta de como a cidade se foi construindo sobre si própria. Mais acima, o Núcleo Arqueológico do Castelo de São Jorge conserva estruturas habitacionais islâmicas de meados do século XI.
Após a conquista cristã de 1147, começou a construção da Sé de Lisboa, ligada ao nome histórico de Igreja de Santa Maria Maior. É provável que a sua implantação corresponda ao local de uma antiga mesquita, embora essa relação não seja uma certeza arqueológica absoluta. À sua volta desenvolveram-se bairros de matriz medieval, como Alfama, Castelo, Mouraria e São Cristóvão, onde persistem ruas estreitas, escadas e percursos anteriores à reconstrução pombalina. A Igreja de São Cristóvão tem origem num templo associado aos moçárabes de Lisboa durante o período islâmico e foi sobretudo reconstruída na primeira metade do século XVIII.
No século XVII, estas ruas já conheciam congestionamentos: coches, liteiras, seges e carroças disputavam passagens demasiado estreitas para dois veículos. O decreto de 9 de outubro de 1686 definiu prioridades, determinando em geral que quem subia recuasse para deixar passar quem descia. O Terramoto de 1755, seguido de incêndios e da entrada das águas do Tejo, transformou profundamente o centro. Sob a direção de Manuel da Maia, a Baixa foi reconstruída com ruas largas, quarteirões regulares e uma nova ligação entre a Praça do Comércio e o Rossio; nas encostas, os traçados antigos sobreviveram com mais teimosia.
Nos séculos XIX e XX, as Ruínas do Carmo passaram a conservar a memória visível do terramoto, enquanto o Elevador de Santa Justa, inaugurado em 1902, resolveu em ferro o desnível entre a Baixa e o Carmo. A atual freguesia de Santa Maria Maior nasceu na reorganização administrativa de Lisboa de 2012, reunindo doze antigas freguesias e bairros que continuam a ter identidades próprias.