História
As terras dos Olivais pertenciam ao termo de Lisboa e foram doadas à cidade por D. João I, em 1385. A paróquia de Santa Maria dos Olivais nasceu em 1397. À sua igreja matriz liga-se uma tradição local: uma imagem da Virgem teria surgido no tronco oco de uma oliveira, alegadamente guardado como relíquia durante cerca de 300 anos.
A partir do século XVI, Olivais Velho foi-se organizando em redor da igreja e na direção do rio, num território de agricultores, cereais, fruta, vinho, azeite e criação de gado. Mais tarde chegaram quintas e casas de campo de famílias nobres, ligadas por azinhagas. O terramoto de 1755 fez ruir a igreja matriz, mas o cruzeiro permaneceu de pé e o templo foi reconstruído.
Em 1852, os Olivais deram nome a um concelho de 22 freguesias, então considerado o maior do país. A sede administrativa, porém, nunca se fixou efetivamente aqui; a escala e a diversidade do território ajudaram a explicar a sua extinção em 1886. A ferrovia para o Carregado e, mais tarde, o Aeroporto de Lisboa alteraram profundamente a zona oriental.
A grande mudança do século XX chegou com os estudos para Olivais Norte e Olivais Sul, iniciados em 1955. O desenho moderno afastou-se da rua e do quarteirão contínuos, valorizando sol, topografia, percursos pedonais e espaços verdes. O Parque do Vale do Silêncio, previsto nesse plano, conserva a ideia de parque estruturante. A Quinta Pedagógica dos Olivais mantém visível a memória agrícola, enquanto as transformações habitacionais das últimas décadas acrescentaram novas camadas à freguesia.